O título desse blog surge diante a uma categoria do nosso amigo Nietzsche, pero sin perder la dialética jamás. Coloquei aqui porque esse blog será o meu esforço ensaístico de integrar essas grandes três potências do pensamento contemporâneo: Hegel, Marx e Nietzsche, ou em sentido estritamente historiográfico, pensamento pós-revolução francesa. A Revolução Francesa revela um pouco da farsa da modernidade, pois a luzes da razão recriara as trevas do terror, com o jacobinismo. Essa desilusão frente ao mito da modernidade, a meu ver, é um de nossas disposições comuns de nosso tempo, de nosso viver e conviver.
Extemporâneo no sentido etimológico é sinônimo de intempestivo, fora do tempo, inoportuno, ou até mesmo deslocado. Nietzsche se batizou como tal para expressar o seu pensamento, como algo demasiado novo para ser lido, algo que a geração contemporânea a ele não estava ainda preparada, ou talvez até a nossa. Com certeza as palavras de Nietzsche nos tornam tambem deslocados, porque ele demole até as "profundezas" qualquer possibilidade fácil de posicionamento.
No sentido de "deslocado" a contemporaneidade é a parteira da extemporaneidade. Como uma sociedade em ebolução e fluidez que só permite vivenciar o transitório, resultado da tendência auto-revolucionária do capital que demole e recria todos os dias as condições de existência do mundo,. Algo que com certeza é historicamente necessário, tanto quanto a sua crítica.
Extemporâneo é um processo de que reconhecendo sua contemporaneidade alienada, avança sobre sua alienação, não sendo mais ela mesma, sendo algo que através dela se tornou algo além dela, se tornou extemporânea.
Extemporâneo é uma emersão crítica da contemporaneidade na história, retirando suas novidades repetitivas, desconstruindo a mitologia moderna permanentemente reproduzida. O pensamento histórico é extemporâneo porque supera a condicionalidade histórica através do conhecimento histórico, dessa forma quebrando as grades de um pespectivismo engaiolado numa ideologia dominante.
Extemporâneo é a superação da lógica dicotômica, essencialista, metafísica, moralista, positivista... porque extemporâneo é o pós-modernismo e o pós-estruturalismo. Todos os meios de sedimentação social, seja cultural, política, estética... ao conhecermos não nos tornamos livres de seus mecanismos, mas alcançamos um olhar extemporâneo. É um ato de ao invés do olhar perdido no horizonte dos ideólogos da modernidade, um olhar em sua volta.
O Extemporâneo
Sexta-feira, 16 de Maio de 2008
Porque O Extemporâneo?
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